BDSM: Códigos e Símbolos

A bandeira

A bandeira, que hoje é um dos símbolos da cultura BDSM, foi criada inicialmente para uma competição leather (couro) em Chicago, em 1989, por Tony DeBlase. Ela é uma variação da bandeira dos Estados Unidos. Quanto ao seu significado seu criador diz: “Eu deixo a critério de cada um o significado das cores e símbolos”.

Desde então a bandeira vem sendo largamente utilizada pelos adeptos do BDSM, sejam héteros, bi ou gays.
A bandeira é marca registrada da Desmodus Inc., que diz:

“Qualquer um que desejar usá-la para fins puramente comerciais deve receber nossa autorização escrita. Entretanto, nós damos boas vindas aos membros da comunidade Leather/SM para usar o projeto em bandeiras, adesivos, camisetas, material impresso, etc.; a serem distribuídos gratuitamente ou vendidos a preço de custo; ou para ser usado para levantar fundos para causas que beneficiem homens e mulheres da comunidade Leather/SM.”

Veja mais sobre as bandeiras e respectivos grupos em http://clarebayley.com/2013/06/a-field-guide-to-pride-flags/

 

O símbolo

Após discussões em um fórum da AOL, Quagmyr propôs um projeto para um emblema de BDSM em 1995, inspirado originalmente pelos anéis de Roissy na “História de O”.

“As bordas e os raios são de uma cor que indica o metal e são de largura uniforme com os braços que giram no sentido horário. Os campos internos são pretos. Os furos nos campos são verdadeiramente furos e não pontos.”

Quagmyr permite o uso do emblema por ele criado para todas as atividades relacionadas ao BDSM sem fins lucrativos: cultural, educacional e artístico. Qualquer uso comercial do emblema necessita de sua autorização.

Muito provavelmente deve ser por isso que existam tantas versões espalhadas pela internet para o emblema da cultura BDSM. Entretanto o verdadeiro emblema é Amarelo (ouro) ou Cinza (prata) e com o fundo preto.

Suas três partes representam simultaneamente: BD, DS e SM / São, Sadio e Seguro / Tops, Bottoms e Switchers.

 

O Código dos Lenços

A década de 1970 foi um período ímpar para a comunidade gay. A liberação sexual estava a toda. Nos EUA os LGBT´s começavam a exigir seu lugar na comunidade. Eles continuavam relegados, no entanto, à marginalidade – algo difícil para muitos, mas excitante para outros. A Aids ainda não havia se alastrado pela população gay, o que permitia anos de despreocupada promiscuidade (inclusive no Brasil, como relata o documentário São Paulo em Hi-Fi). Nessa época, os gays norte-americanos usavam vários acessórios colocados em partes de suas roupas que tinham significados bem definidos para quem sabia decifrá-los, sinais que indicavam vários tipos de preferências sexuais e, também, explicitavam as tribos a qual pertencia cada gay.

Um dos códigos mais populares na época eram os lenços. Eles são uma evolução do costume que os gays norte-americanos da época tinham de usar chaveiros para indicar os papéis que preferiam na cama: pendurado no lado esquerdo, ele indicava que o sujeito preferia ser ativo, e, no direito, passivo. No início dos anos 1970 o jornal Village Voice sugeriu, de brincadeira, que os gays deveriam trocar as chaves por lenços, de maneira a comunicar não apenas a posição que preferem, mas também a prática que mais gostam, de acordo com a cor. A onda pegou, principalmente em San Francisco.

De acordo com o livro The Leatherman Handbook 2 (“O manual do couro 2”, em tradução livre) as cores dos lenços eram escolhidas conforme os significados a seguir:

  • Amarelo: golden shower (chuva dourada)
  • Azul claro: sexo oral
  • Azul escuro: sexo anal
  • Bege = lamber o ânus (beijo grego)
  • Branco = masturbação
  • Cinza = bondage
  • Cinza escuro = latex fetish
  • Fuchsia = espancamento
  • Laranja: vale tudo a qualquer hora (mas não necessariamente com qualquer um)
  • Marrom: cropofilia (brincar com fezes)
  • Ouro = “Ménage à trois”
  • Preto = sadomasoquismo
  • Rosa: dildos/brinquedos anais
  • Roxo: piercing
  • Verde Musgo = idoso/jovem
  • Verde: prostituição
  • Vermelho: fistar (inserir a mão no ânus)
  • Violeta = tortura de mamilos

Em 1977 o fotógrafo Hal Fischer publicou um livro entitulado Gay Semiotics (“Semiótica Gay”), em que publicava fotos tiradas em São Francisco, principalmente na região do Castro e Haight Ashbury. As legendas são dignas de um museu, classificando cada “tipo” de homossexual com uma linguagem fria e enciclopédica – tão impessoal que chega a ser engraçada, provavelmente a intenção do autor. Obviamente os gays não eram obrigados a sair sinalizando suas preferências, mas tudo indica que nessa década esses sinais realmente eram utilizados – e funcionavam.

Fontes:

https://www.bondagemanbrasil.com/2008/04/bdsm-cdigos-e-smbolos.html?zx=ca51543fc775e247

http://clarebayley.com/2013/06/a-field-guide-to-pride-flags/

http://www.ladobi.com.br/2015/01/codigo-lenco-semiotica-gay/

 

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